Frecheirinha, Sítio do Bosco e Ubajara – Ceará

Por toda a minha infância passei as férias escolares viajando para a casa dos meus avós, na cidade de Frecheirinha (sim, essa cidade existe..rs) e arredores, portanto, essa postagem tem um carinho especial. Gosto de infância, nostalgia e belos locais a serem descobertos por nós. Não sei por onde começar, talvez por um passado distante, mas não tão distante assim..rs. Acontece que sou filha de Nordestinos, com muito orgulho. Pai e mãe cearenses, típicos batalhadores e arretados! 

A cidade fica no interior do Ceará, distante 60 km de Sobral. Nossas viagens eram sofridas, 6 dias de deslocamento (3 ida e 3 volta), em um carro pequeno (o último que fomos foi o TIPO). Atravessando mais de 2000 km de estrada. Era cansativo, sentíamos muito calor no carro sem ar-condicionado, mas pra mim, essa era a melhor época do ano! Nessa cidadezinha eu fui muito feliz! Lá eu corria solta, brincava com os meus amiguinhos na rua, tomava banho em rios, balneários, açudes e tudo mais que pudesse matar o calor e ser divertido.

 Os anos passaram e por conta de diversos empecilhos voltei à Frecheirinha apenas duas vezes nos últimos 15 anos, a segunda vez agora, em novembro.

Se eu pudesse faria uma postagem gigantesca sobre a importância desse lugar na minha vida. Para mim essa pequena cidade carrega muito mais do que tradicionais características de cidades do interior. Não sei, há algo místico naquele lugar (Mônica, para de fumar essas coisas..rsrs). Tá, fato é que uma enorme nostalgia toma conta do meu ser quando estou lá. Ainda que tudo esteja bastante diferente, existe uma coisa que dali não sai, e em outro local não tem…o cheiro. Existe um aroma específico que eu não sinto em nenhum outro lugar, só ali, e é bem mais predominante embaixo da grande árvore centenária, o pé de oiticica.

Frecheirinha Sítio Bosco Parque Nacional Ubajara

Muito daquilo que fez parte da minha infância passou por transformações. Infelizmente (ou felizmente), Frecheirinha cresceu e as fábricas de lingerie foram as grandes responsáveis por este crescimento, pois elas vem ganhando espaço em todo o Nordeste, gerando empregos e melhorias para a população que ali vive. Sim, benditas sejam as fábricas!

A cidade ainda mantém algumas simples tradições. O povo ainda coloca suas cadeiras de balanço nas calçadas para conversar, mas muita coisa mudou…. Que saudade do chão de pedras! Do enorme quintal que fazia parte do terreno de meu falecido avô, cheio de árvores frutíferas, cansei de comer seriguela do pé. Enfim, mudanças são necessárias, e é pra frente que se anda.

Como disse anteriormente, fazia 6 anos que não visitava Frecheirinha, sentia a necessidade de voltar lá para rever alguns parentes, mas queria conhecer também algum local novo, que estivesse na minha “wishlist”. É, lá no interior da minha mente esse lugar já estava anotado.

Acontece que certa vez nós fomos à Chapada dos Veadeiros, distante daqui pouco mais de 200 km. Em um dos passeios às cachoeiras, conhecemos um grupo de amigos. Durante a trilha, papo vai, papo vem, sobre o tema de viagens (tinha que ser, né?) lembro que um deles, Nordestino, nos disse assim: “um dos locais mais belos que já estive na vida, foi Jericoacoara. Gente, o dia que vocês puderem, vão à Jeri, vocês não vão se arrepender!” Meu, ele falou com tanta segurança, eu senti tanta firmeza naquelas palavras, que Jericoacoara ficou fixada em minha cabeça, e dali nunca mais saiu.

Decidido! Vamos ao Ceará, 20 dias logo que é “pra mode” matar saudade da família, conhecer Jijoca e Jeri (são duas cidades em uma) e aproveitar pra conhecer um pouco mais, porquê não?!

Sim, mais um sonho saia do papel para ser concretizado, nosso planejamento foi tomando formas e nossas pesquisas nos levaram aos locais certos! Nosso roteiro foi: Frecheirinha, Jijoca e Jericoacoara, Guajiru (em Trairí) e por fim, Canoa Quebrada (gostaríamos de conhecer Cumbuco, mas não deu tempo. E esse é um ótimo motivo pra voltarmos..rs)

Quinta-Feira, 5 de Novembro (Brasília – Frecheirinha):

Partimos do Aeroporto de Brasília de manhã, em um voo que duraria duas horas e vinte minutos, chegamos em Fortaleza e fomos direto à rodoviária, de táxi. Aqui eu quero deixar uma observação: Fábio inocentemente perguntou o valor aproximado da viagem até a rodoviária, o cara responsável por nos levar até o táxi disponível olhou para nossa cara de turista e disse que custaria R$:25,00. Eu que estive lá 6 anos atrás achei aquilo estranho e absurdo, da última vez paguei R$: 15,00. Vi ele fazendo sinal com as mãos pro nosso taxista, que não viu… De qualquer forma o taxímetro estava ligado, a viagem custou R$:18,00 mas penso que deveríamos ter pagado menos, pela tamanha cara de antipático do taxista…rs. 

Chegamos à rodoviária de Fortaleza, compramos nossas passagens, almoçamos e em pouco tempo nosso ônibus partiu.

Acredito que esta seja a forma mais barata de se chegar em Frecheirinha, porém também é bastante cansativo. Levou mais de 6 horas para chegarmos ao nosso destino. Um percurso de 300 km.

Frecheirinha Sítio Bosco Parque Nacional Ubajara

Chegamos à pequena cidade, dei um abração daqueles na tia e nos parentes, senti fundo, na alma, o cheiro de infância. Fiquei leve, muito feliz!

Passeios:

Os dias passaram e por lá visitamos o Sítio do Bosco, o Parque Nacional de Ubajara, onde há um bondinho que leva á gruta, mas que infelizmente estava desativado. Demos um mergulho no Neblina Park Hotel, e vários outros no Ytacaranha (parque aquático). Tiramos fotos em frente a Igreja Matriz de Viçosa, compramos lembrancinhas na feirinha de Tianguá. Gente, lá tem muita coisa e é fofo! você que gosta de uma pinguinha, lá é O local para se trazer uma das boas! Fizemos tudo isso e muito mais!Tivemos que administrar bem o tempo para comparecer aos almoços/lanchinhos/Karaokês e tudo o que nos convidavam. Também fomos ao forró, com a dupla Frank e Léo. O segundo cantor é inclusive um dos meus amigos de infância, mas confesso, não lembrava dele….rsrs.

 

Outra grande sensação para mim foi ir à feirinha que acontece aos domingos pela manhã. Lá tem de tudo; roupas, frutas e verduras de pequenos produtores, mel, brinquedos artesanais (feitos de barro), farinha de tapioca e claro, rapadura, aos montes…de todas as cores e sabores! Quem tiver oportunidade, experimente a rapadura de jaca…huuuuuuumm! É a melhor que já comi até hoje! Também há muitas “espécies” de rapadura em Tianguá, na feirinha. Aliás, rapadura no Ceará “dá em árvore” 🙂

Se eu pudesse definir o significado de Frecheirinha em uma canção seria:

“I close my eyes

Only for a moment

And the moment’s gone” (Kansas)

 

Veja um breve vídeo de nossa viagem!


sudeste asiatico, por onde comecar - tailandia - laos febre amarela - anvisa

O Leve Sem Destino faz parte de alguns programas de afiliados, isso significa que se você fizer sua reserva através dos links parceiros encontrados abaixo, nós ganhamos uma pequena comissão. Você não paga nada a mais por isso e ainda ajuda o blog a se manter.

 

Hospedagem | Aluguel de Carros | Seguro Viagem | Chip 4G

Gif por Marco Martina


Mônica Rodrigues

Leonina, brasiliense de alma e coração, graduada em Administração em Comércio Exterior e apaixonada por tudo o que envolve o ramo (apesar de não atuar nele). Tem verdadeiro fascínio pelo desconhecido. Acredita que pessoas se tornam melhores ao se depararem com o externo/ diferente, o que foge da “bolha”. Se sente em paz ao viajar e carrega consigo seu namô e sua família pra onde quer que vá.

2 comentários em “Frecheirinha, Sítio do Bosco e Ubajara – Ceará

  • 5 de janeiro de 2017 em 21:14
    Permalink

    Adorei o seu post….sou de SP, mas minha família também é de Freicheirinha e Tiangua (por sinal, achei sua foto da casa muito parecida com a de meus avós)….inclusive, estou indo pra lá nesta semana….também vou passar por Jeri e Canoa, por isso estava pesquisando sobre o lugar…achei ótimas suas dicas e descrições dos locais, espero encontrar por lá toda essa beleza. Abçs.

    Resposta
    • 6 de janeiro de 2017 em 16:21
      Permalink

      Fernanda, que bom que gostou. Fico feliz! 🙂

      Essa casinha era tipo modelo “padrão” das que existiam antigamente lá. Lembro que quase todas as casas tinham o alpendre igual ao dos meus avós. Também tinham o mesmo modelo de janelas e portas, que é exatamente essa utilizada em estábulos (bipartidas). Hoje as casas mudaram muito, só as mais antigas permanecem assim.

      Se você leu as publicações de Jeri e Canoa Quebrada mas ainda tem dúvida, pode perguntar aqui!

      Já adianto que por ser Janeiro, talvez você pegue chuva. Não sei como está o clima por lá. De qualquer forma, aproveite muito!! Você vai se apaixonar!!

      Abração =D

      Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *