XVI Encontro de Culturas – Chapada dos Veadeiros

Sábado, 23 de Julho de 2016 –  Encontro de Culturas

Identidade Nacional 


O Leve Sem Destino, mais do que um blog de viagens que busca passar dicas, informações para o Turismo tradicional e/ou alternativo, é uma página que tem o intuito de transmitir via relato/fotos/vídeos, um pouco do que é e como vive a comunidade de cada local. Buscamos sentir e observar a rotina de cidades por onde andamos. Sem deixar de lado a postura de visitantes, já que é isso que somos até então. Procuramos respeitar e nos adaptar da melhor forma. E isso vale para qualquer lugar, ainda que seja o “quintal da nossa casa”.

Um pouco sobre os eventos

O Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, assim como a Aldeia Multiétnica, são dois eventos mais do que especiais que ocorrem em todo mês de Julho, no nosso berço das águas. Eventos que merecem nossa atenção e mais incentivo. Eventos de resistência, pois vem recebendo cada vez menos apoio dos órgãos competentes.

A página oficial do Encontro de Culturas explica muito bem o significado da importância e necessidade de valorização de tudo o que disse até aqui:

 

“Há 16 anos, em toda segunda quinzena do mês de julho, o Brasil se encontra na Chapada dos Veadeiros. Um Brasil que gostamos de chamar de profundo. Profundo geograficamente e em sua sabedoria. A vila de São Jorge, já tão abençoada com sua comunidade local, forte e batalhadora, recebe representantes de diversos povos como o seu. Durante 15 dias, os olhos do mundo se voltam aos interiores, às roças, às aldeias indígenas, aos remanescentes quilombolas, aos pequenos produtores, artesãos, raizeiros, rezadeiras, parteiras, batuqueiros, aos artistas do povo. Aqui, fazemos música, dançamos, rezamos, debatemos, denunciamos, comemos, bebemos, compartilhamos, nos emocionamos – nos entregamos à celebração de um grande encontro de saberes e fazeres. No Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, nos reconhecemos como brasileiros, compreendendo o quão complexa é essa definição.”

 

Eu, particularmente, fui entender o real significado agora, tendo o primeiro contato. Este evento segue até o final do mês de julho e tudo que eu mais gostaria era de estar presente, ao menos por 10 dias, para me sentir mergulhada e inserida. Por que não dizer, fazer parte de tudo ali!? Pois tivemos apenas um dia para acompanhar. Assistimos de forma superficial, infelizmente. Tempo muito curto, sim, mas as primeiras sementes foram plantadas em nossas mentes.

Nossa dívida com as comunidades que deram origem ao que somos nós, brasileiros, é algo que está longe de ser “quitada”. Mas não vou me aprofundar muito nesta questão, quero apenas relatar um acontecimento.

 

Oficina de Turbantes (Encontro de Culturas)

Estávamos eu, Fábio e mais 3 queridos que fizemos amizade no Camping, buscando programas que aconteceriam àquela tarde no Encontro de Culturas. Decidimos então participar de uma oficina, que seria sobre as diversas formas de fazer uso de turbantes.

Chegamos à pequena sala da escolinha meio perdidos, nos acomodamos e aguardamos Aldelice, a professora, começar. Cada um se apresentou e, ao chegar a vez dela, a professora fez o mesmo. Estava tudo indo bem até chegar o momento do desabafo. Acontece que nessa pequena sala havia pouco menos de 20 pessoas, e de todos que ali estavam, apenas uma se enquadrava no perfil pelo qual a proposta do Encontro é voltada: Aldelice, negra com todos os traços afrodescedentes.

Isso eu já havia reparado e estranhado.Sim meu povo, o Encontro de Culturas é uma festividade feita para os povos que são nossas raízes. Os povos quilombolas, descendentes diretos dos escravos. E o motivo do desabafo é simples de ser entendido: enquanto nós, brancos em maioria naquele pequeno espaço estávamos tendo um momento de descontração, a comunidade kalunga estava trabalhando, ralando pesado no evento. Paradoxo ou simples constatação da realidade que ainda existe?! Fica aqui a reflexão.

Passado o desabafo a professora se recompôs e seguiu com a oficina. Quase todos os presentes terminaram a “aulinha” com um belo turbante na cabeça. Eu adorei e confesso, quase pedi para ir embora daquele jeito, mas o lenço não era meu…snif.

 

Roda de Prosa (Encontro de Culturas)

Como disse anteriormente, fomos tocados pelo desafogo da querida Aldelice. Após sairmos da oficina voltamos à Casa da Cultura, onde estava acontecendo a Roda de Prosa – “Encontro dos Mestres de Fé: fé, respeito e tradição pelo povo negro”. Pelo que entendi tratava-se de um debate sobre o evento como um todo. Eles comentavam bastante sobre a falta de incentivo e investimento pelos órgãos responsáveis, e a toda hora tínhamos a impressão de que a agenda estava desorganizada. Eu, particularmente me senti tocada e incomodada por não poder ajudar de forma efetiva. Ainda assim, vim aqui para tentar propagar um pouco da ideia da valorização cultural, de isso tudo que vi e que todos nós deveríamos ver também.

 

Feirinha (Encontro de Culturas)

Passamos mais um tempo por ali, observando. Ficamos admirados com um dos estandes da feirinha onde uma senhora vendia abajures e objetos de decoração feitos de cabaça. Gente, valei-me, que coisas mais lindas!!!! Eu TIVE que comprar uma, foi mais forte do que eu!

Dali paramos para um teatrinho que estava começando – Caminhadeira, com A lenda do preguiçoso. Amei tudo!

 

Santo Cerrado Risoteria e Café

O sol já estava prestes a se pôr, quando bateu aquela fome. Seguimos para o já tão comentado Santo Cerrado, a risoteria que nos conquistou por completo.

Bem querido(@)s, eis aqui nossas considerações sobre um dia no Encontro de Culturas. Peço perdão por não ter participado mais. Farei o que estiver ao meu alcance para estar presente no XVII Encontro de Culturas e na XI Aldeia Multiétnica. Espero que com esta postagem você se sinta inspirado a vir também participar de um momento tão rico e inspirador.

Abaixo, uma foto do que é nossa seca em Veadeiros.

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“Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.” – (Oração à São Jorge)

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Mônica Rodrigues

Leonina, brasiliense de alma e coração, graduada em Administração em Comércio Exterior e apaixonada por tudo o que envolve o ramo (apesar de não atuar nele). Tem verdadeiro fascínio pelo desconhecido. Acredita que pessoas se tornam melhores ao se depararem com o externo/ diferente, o que foge da “bolha”. Se sente em paz ao viajar e carrega consigo seu namô e sua família pra onde quer que vá.

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