Como é o Downhill pela Estrada da Morte, Bolívia

Sim, nós fizemos o Camino a Los Yungas, o famoso e temido Downhill pela Estrada da Morte, na Bolívia! O trajeto foi batizado assim por conta da quantidade de óbitos que aconteciam, uma média de 200 acidentes e 100 mortes por ano*. Já as mortes de turistas/ciclistas está em uma faixa de aproximadamente 20 até hoje. A estrada boliviana liga a cidade de La Cumbre, que está a 4700 metros de altitude, a Yolosa, a 1100 metros. Ou seja, em 50km de extensão** você desce 3600 metros de altitude. 

* Algumas fontes, como a BBC News, afirmam que os números são bem maiores: “Durante los años 90, un promedio de 300 personas al año murieron allí”. E eu confio mais nestas, não por ser pessimista, mas sim por imaginar que em apenas 1 ônibus de viagem a capacidade é de, em média, 50 pessoas. Não é raro passar ônibus interestadual por ali, até os dias de hoje.

** O trecho total percorrido, que é feito parte com o transporte (van) é de 65km.

 

Como Foi Nossa Experiência

 

Escolha da Agência

Fizemos com a empresa No Fear, que não é das mais caras e oferece um bom serviço. Eles oferecem 4 tipos de bicicleta, basicamente com diferenças nos freios e nas suspensões.

Nós escolhemos a opção em que tem freios à disco hidráulico e apenas suspensão dianteira. No caso, é a segunda mais cara. Nos custou, cada uma, R$155 (+/- 300 bol).

estrada da morte - camino a los yungas - la cumbre - la paz - bolivia (2)

O pacote fechado, com uma das 4 bikes, inclui: itens básicos de segurança, algumas roupas corta vento e a famosa camisa “Eu sobrevivi à Estrada da Morte”. Abrange também, o café da manhã, o almoço e um lanche (muito barato, né gente?).

Uma pequena observação: As fotos feitas pela agência e logo depois disponibilizadas são de baixa qualidade, então não hesite em levar alguma câmera portátil. Mas muita atenção ao momento de fazer fotos. Mortes de ciclistas naquela estrada são, em geral, causadas por um momento de distração.

A taxa de entrada no Parque onde se encontra a Estrada da Morte é de 50 bols por pessoa.

O passeio é dividido em duas partes: a primeira, onde recebemos os equipamentos em um local aberto e descemos um trecho de asfalto comum, para que cada um se familiarize com sua bike; e a segunda, para aventurar-se pala temida Estrada da morte! #medo

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1ª Parte – Descida por uma estrada de asfalto

Antes de partirmos para a aventura, tomamos um café reforçado no Tia Glady’s, que já estava incluso no preço do pacote, como dito ali em cima. Saímos bem cedo de La Paz para iniciarmos nossa aventura. Durante o caminho, a van parou, como se diz aqui no Brasil, em uma mais completa birosca para que pudéssemos comprar snacks e aperitivos para levar na mochila. rsrs

Partimos então para um local amplo a céu aberto onde cada um recebe seus equipamentos, toma as instruções básicas com os guias de forma coletiva,  e faz um pequeno passeio com sua magrela. A partir daqui as instruções são constantes. O tempo todo somos orientados sobre como fazer o Downhill pela Estrada da Morte sem colocarmos nossas vidas em risco.

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Logo após, descemos cerca de 20km por uma estrada de asfalto com nossas bicicletas e as paisagens de montanha/penhascos eram simplesmente encantadoras. Dava pra ter uma pequena ideia do que nos esperava mais tarde. Detalhe que, por ser uma estrada comum, fomos ultrapassados por muitos carros. Durante essa experiência, acontecem várias pausas para fotos e para que o grupo seja todo reunido novamente.

 

Passado esse primeiro momento de familiarização com nossos equipamentos, fizemos um lanche (incluso no passeio) e seguimos de van para onde iniciaríamos a descida pela temida Estrada da morte.

 

2ª Parte – A Estrada da Morte

Ao chegar no topo (La Cumbre), aonde desceríamos de bike, a sensação foi de medo, muito medo. Lembro-me de ter pensado em desistir e seguir na van, o que hoje em dia, acho que não adiantaria nada rsrs. Estávamos no que parecia ser uma pequena cidade fantasma (Mônica define o lugar como macabro ), em uma grande altitude e havia muita neblina.

Lá, eles novamente reúnem todo mundo pra dar instruções ainda mais detalhadas, como a de que devemos estar sempre do lado esquerdo da pista, ou seja, mais próximo do precipício. É difícil aceitar isso no momento em que se ouve, mas você acostuma rsrs. Isso acontece para que possamos enxergar os carros que estão subindo (sim, ainda há fluxo de veículos por ali, porém baixo). Outra dica que nos foi passada, muito importante, é a de que cada um faz a descida no seu tempo.

 

Finalizadas as instruções, começamos a descer, sempre com o medo nos acompanhando rs. Durante a descida, a neblina vai se dissipando, as belíssimas paisagens se revelando e a temperatura subindo. Nesse momento a gente passa a perceber alturas assustadoras e a sentir aquele misto de adrenalina e emoção. Até porque você encontra cenários inimagináveis, como algumas quedas d’água e muita vegetação de floresta (em montanha). A descida dura cerca de 4 horas. Aqui, como na estrada inicial, acontecem paradas estratégicas para reunião do grupo, algumas fotos e talvez algum lanche.

Já mais para o fim da aventura, o pneu de minha bike furou. Em menos de 5 minutos, um dos guias já havia providenciado o conserto. A partir desse momento, para alcançar o pessoal, deixei o medo de lado e corri como um louco. Foi a parte mais legal do passeio rs. Mas não repitam isso pois pode ser trágico.

A beleza das paisagens vistas nesse passeio são impressionantes. É indescritível. Algo que você só acredita se estiver vendo. Vai por mim, vale a pena!

 

Ao fim do passeio, todos entraram novamente na van e fomos almoçar em um clube. A comida estava muito boa, talvez porque todos estavam brocados depois de tanta adrenalina. 

 

3ª Parte – O brinde: Volta para La Paz

Você acha que nossa emoção pela Estrada da Morte acabou? Que mesmo após relaxarmos na piscina e de estômago forrado poderíamos cochilar a van? Não! A parte mais tensa, por mais incrível que possa parecer, foi a volta para La Paz já no escuro da noite. O trecho que liga Yolosa à Cidade Maravilhosa (como eles chamam) é sinuoso, construído a beira do abismo e o tanto que descemos, agora tínhamos que subir. Para você tentar entender um pouquinho do que passamos,  nas ultrapassagens o motorista desligava o farol, para saber se havia algum outro veículo vindo na direção contraria, e seguia na maior confiança – percursos de faixa contínua, cheios de curvas. Ora, estamos cruzando montanas! Para piorar tudo, o frio já nos havia obrigado a recolocar nosso casacos. Mas ok, estamos aqui detalhando tudo para vocês (Uffa).

 

O Que Devo Levar no Dia?

 Dentro da mochila de ataque, leve 1 casaco mais grosso, pois na parte inicial e na volta para La Paz, o frio é intenso.

 Leve também alguns bolivianos, para pagar a taxa de entrada e lanches.

 Sempre tenha moedas para que você possa usar os banheiros. Eles sempre são precários (ou muito precários!), mas não há como fugir. Álcool em gel na bolsa e uma boa capacidade de abstrair são fundamentais.

 Óculos de sol e protetor solar, pois o tempo muda de repente.

 

É necessário ser profissional na bike?

Não precisa ser profissional, mas aconselho que você só faça o passeio se tiver uma certa intimidade com a magrela. O percurso é uma grande descida em uma estrada de terra onde o máximo é 3 metros de largura. E claro, vá devagar, tranquilo e preste bastante atenção.

 

Invasão da Monikete

Fazer Downhill na Estrada da Morte foi, para mim, exatamente igual subir o vulcão Lascar: algo que eu nunca me imaginei fazendo, mas a oportunidade surgiu e nós não deixamos passar!

Sobre a experiência, infelizmente não tem como não ser clichê – desafiadora. De um lado, a parede da montanha; do outro, penhascos que em certas partes chegam a 600 metros de profundidade; entre essas duas, uma estrada que pedras/cascalhos/terra, desnivelada, que em alguns trechos não tem sequer 3 metros de largura. 50 quilômetros de pura concentração e adrenalina. Agora deixando em evidência meu lado masoquista rs… essa noite, após o downhill na Estrada da Morte,  acordei sentindo dores nas mãos e punhos. Era algo descomunal! Doía tanto que só o Miosan deu jeito. Mas olha, que dor gostosa. A dor dos vencedores! Se eu pudesse estava sentindo ela de novo, agora (mentira, doeu demais. Uma vez tá bom…) 

 

 É pessoal, a dor veio do ato repetitivo de usar os freios. São cinquenta quilômetros de predominante descida. Quase não há retas, e por mais que isso nos ajude a não ser tão cansativo, qualquer descuido pode ser fatal. Então freios são sempre muito utilizados. 

Em tempo: a maioria dos registros pela Estrada da Morte foram feitos pelos guias da No Fear. A qualidade das imagens não é das melhores, mas, por questões de segurança o ideal é que se faça fotos nos momentos de parada do grupo. A maioria dos acidentes é causada por excesso de confiança ou distração. “Ah! deixa eu fazer uma selfie aqui, em cima dessa bike, descendo esse pedaço, tem um belo penhasco o meu lado…” não, cara!

 


Conclusão

Foi uma aventura extremamente radical, que jamais nos veríamos fazendo, mas fizemos. E foi sensacional. As belezas daquele lugar são surreais. Acho que todos que se sentem a vontade com uma bicicleta e gostam de perigo aventura já tem motivos suficientes para fazer.

Vá, não se esqueça de seu seguro viagem e volte para nos contar!

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Fábio Brasil

Brasiliense, formado em Ciência da Computação e louco por tecnologia. Assim que começou a ganhar um pouco de dinheiro e comprou um carro, passou a viajar bastante com sua namorada e parceira de blog, Mônica Rodrigues. Degustador amador de vinhos, cervejas e bons drinks. Pronto para aproveitar o melhor que a vida tem a oferecer!

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